Sábado, 2 de Junho de 2012

permanecer


nunca sonhei assim


com tanta calma e paixão
com tanta cor, emoção
sem consciência do fim

um sonho, colorido por nós.
Cores intensas e cruas,
diluídas em palavras quentes
ocupando a tela, a vida, de lés a lés

como se não houvesse outro fim
como se só plenitude: tu e eu

dizem que nada perdura, nada é eterno, tudo se esvai...
queria
não acordar, permanecer

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

castelo

o castelo caiu, pouco resta. estás satisfeito, feliz? aplacaste os teus fantasmas, realizaste os teus sonhos? e o amor? que faço com o meu? aqui sentado, neste horizonte, mar de gente, tudo é deserto,
com tristeza

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

breve

desde que estás comigo, nunca mais me senti só!

plenitude

em todas as vozes, procuras a Voz. em todas as pinturas, a vibração da Cor. em todos os relatos, a História perfeita. em todos os sons a Música das esferas e em todos os outros, o outro que te completa e perguntas se existe uma Alma, se ela pode ser definida. diz-me! o que vibra em ti quando encontras? é uma sensação física, que te assusta, e arrasa poder pensar todo o mundo: natural e construído, poder pensar-te a ti, com a simpliciade do ser, estar, existir, com a simplicidade do momento sem mais, uma pelnitude que é

Quarta-feira, 21 de Março de 2012

poesia dura


a tua poesia é dura.
quando toca a minha pele,
a tua poesia deixa a marca das palavras roxas.
essas palavras são algozes de pensamentos,
em pequenas sílabas cristalizam um mundo.

a tua poesia é dura como nódoas negras
e nem por isso gosto menos dela.

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

encantamento


deixa-me dissipar a nuvem
que cobre o lago.

ao luar, eu, sacerdote,
num gesto largo, percorro o céu,
lanço ao ar, na ponta do objecto afiado, um encantamento,
que como pó de estrelas cai sobre as águas quietas.

os meus pés mergulhados e o teu corpo submerso... o teu corpo...

queria ressuscitar a tua vida:
ao corpo dar a voz
à voz imprimir o gesto,
com o gesto rasgar o olhar
e no olhar conjurar a alma.

vivesses de novo tu para mim,
morreria eu por, de novo, não saber amar-te.