domingo, 17 de setembro de 2017

Cascais

Um dia vamos a Cascais,
Um dia levo-te a Cascais, a ver as luzes de Natal em Lisboa
e outras paisagens que não conheces.

Faremos a viagem juntos, com conversa, olhos nos olhos e cumplicidade.
Dar-te-ei a conhecer horizontes
e, tu a mim, a viagem da tua imaginação,

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

....



Se com os ângulos do teu rosto
vieres perturbar a liquidez do meu quotidiano
sê avisado
sobre o risco da paixão
que oferece
a neblina
definida pelas linhas dos corpo em reflexo
limitada pelo encontro das nuvens de palavras sem significado
ficaremos sempre presos no limbo, cristalizados
é provável que tudo acabe em estilhaços

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

comunhão

e quando te sentisses assim
sem substância
como se tudo te atravessasse sem deixar traço, marca ou memória.

na tua fluídez irias perguntar se, de facto, existias,
porquê esse vazio.
metias a mão lá dentro, em ti e achavas muito pouco,

um quase nada,
um sopro que subsiste da vontade
ser novamente em comunhão.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

escape


pudesse viver a par do belo,
mesmo o belo das pequenas coisas:
o sorriso, o sol, a lua,
a beleza desenhada dos teus traços numa tela.
Contudo, por certo, o tédio chegaria,
porque é da natureza o enfado
com o que é habitual e assim,comum.
pudesse viver a par do belo
até não querer mais a tua beleza...
bom escape seria para a tristeza
do feio destes dias.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

beijo


beijo a tua boca devagar
os teus lábios macios
que provo como à polpa de um fruto fresco

prendo entre os meus dentes
os teus lábios
um pouco dessa carne quente e húmida
a tua língua

sinto a textura
mas perco-me no que sinto
porque num beijo posso deixar de existir

segunda-feira, 22 de abril de 2013

regressar



no cimo da montanha está o mesmo sol,
mas o sonho desfez-se nas águas do rio.
calmo, brilhante e fresco, ele desliza pelo leito
de areia e lage polidas
como um corpo à mercê de mãos que o vão moldando com carícias


não vale a pena dizer que lamento todas as lágrimas.
elas tinham de ser choradas, secar na tua pele,
temperá-la com o sal da tristeza.
no fim são sempre lágrimas e tristeza por companhia

e as estações passam e partimos ambos.
por vezes regressamos a partes de nós, aqui
(mas nunca é a mesma coisa).
apenas ficaram sombras.
regressamos

segunda-feira, 15 de abril de 2013

decisão






já não vou revelar os meus segredos
os teus pés caminham sobre gelo frio
eu sou objecto vazio à espera de novo uso
quando adivinhaste?