quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

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Se com os ângulos do teu rosto
vieres perturbar a liquidez do meu quotidiano
sê avisado
sobre o risco da paixão
que oferece
a neblina
definida pelas linhas dos corpo em reflexo
limitada pelo encontro das nuvens de palavras sem significado
ficaremos sempre presos no limbo, cristalizados
é provável que tudo acabe em estilhaços

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

comunhão

e quando te sentisses assim
sem substância
como se tudo te atravessasse sem deixar traço, marca ou memória.

na tua fluídez irias perguntar se, de facto, existias,
porquê esse vazio.
metias a mão lá dentro, em ti e achavas muito pouco,

um quase nada,
um sopro que subsiste da vontade
ser novamente em comunhão.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

escape


pudesse viver a par do belo,
mesmo o belo das pequenas coisas:
o sorriso, o sol, a lua,
a beleza desenhada dos teus traços numa tela.
Contudo, por certo, o tédio chegaria,
porque é da natureza o enfado
com o que é habitual e assim,comum.
pudesse viver a par do belo
até não querer mais a tua beleza...
bom escape seria para a tristeza
do feio destes dias.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

beijo


beijo a tua boca devagar
os teus lábios macios
que provo como à polpa de um fruto fresco

prendo entre os meus dentes
os teus lábios
um pouco dessa carne quente e húmida
a tua língua

sinto a textura
mas perco-me no que sinto
porque num beijo posso deixar de existir

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Julia Lezhneva, Haendel, Alessandro, "Brilla nell'alma"

brilla nel' alma
un non intenso ancor dolce contento,
e d' alta gioia il cor soave inonda

Si nella calma
azzurro brilla il mar, se splende il sole,
e il rai fan tremolar tranquilla l'onda
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In my soul sparkles
an unheard-of sweet content
and my heart is gently flooded with great joy

As in the calm
the sea glitters blue, the sun shines
and its rays make the waves tremble gently

segunda-feira, 22 de abril de 2013

regressar



no cimo da montanha está o mesmo sol,
mas o sonho desfez-se nas águas do rio.
calmo, brilhante e fresco, ele desliza pelo leito
de areia e lage polidas
como um corpo à mercê de mãos que o vão moldando com carícias


não vale a pena dizer que lamento todas as lágrimas.
elas tinham de ser choradas, secar na tua pele,
temperá-la com o sal da tristeza.
no fim são sempre lágrimas e tristeza por companhia

e as estações passam e partimos ambos.
por vezes regressamos a partes de nós, aqui
(mas nunca é a mesma coisa).
apenas ficaram sombras.
regressamos

segunda-feira, 15 de abril de 2013

decisão






já não vou revelar os meus segredos
os teus pés caminham sobre gelo frio
eu sou objecto vazio à espera de novo uso
quando adivinhaste?