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terça-feira, 12 de julho de 2011

email VIII


estou a escrever porque há noites melhores do que outras.
há noites em que a lua é amiga e parece iluminar todo o caminho.
há noites em que a lua é nova, nem se vê e só há negro.

não estou com sono e apetecia-me falar um pouco contigo, um pouco mais...
não ia dizer nada que já não soubesses, fazia questão de falar disto e daquilo, de nada realmente importante, porque hoje já falámos de coisas importantes. seria provável acabar por te beijar e assim não ter que falar mais nada.

há um silêncio entre cada palavra dita e isso já todos sabemos.
sinto receio dessas pausas que, tantas vezes, adquirem significados maiores que o das palavras que definem. palavras são palavras e o seu significado vem no dicionário, quanto às pausas, o seu significado é definido por cada um de nós.

muitas vezes não sei o que ler em ti, nas tuas palavras e, sobretudo nas tuas pausas. por vezes és como a noite de lua nova e eu não encontro o caminho, por vezes parece que me engano.

não estou a fazer sentido.
o que queria mesmo dizer é que queria falar contigo mais um pouco, agora à noite.
quem sabe, não seja mais que um pretexto para te beijar outra vez.


sexta-feira, 29 de abril de 2011

e-mail V


pensei em ti como um oásis.
que imagem batida, chumbada em nós:
tu o meu oásis, eu o teu.

vou-te secar com a minha sede, até não restar mais gota, veio, humidade.
vou-te cercar, impedir que outros te encontrem, te visitem, bebam de ti.
vou apagar a tua beleza, reduzir-te à areia do deserto que te envolve.
vou fazer isto tudo porque, confesso, quero-te só para mim.

porém, se fizesse isso,
não podia mais beijar a tua frescura ou acariciar o teu espelho;
banhar-me em ti, deixar-me envolver pelo teu abraço, adormecer à tua sombra.
não entendo esta paixão que se afoga, que se queima, que se imola.

se fizesse isso,
matava-te e depois morria

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

e-mail II


serei breve.

reina a absoluta confusão, já não sei o que pensar disto tudo. agora são várias as vozes que se embrulham no meu cérebro, como se ele já não tivesse circunvoluções suficientes. cada voz diz a sua coisa, cada uma tem o seu discurso e nem sempre concorrem no mesmo sentido.

sim, estou confuso. não sei se atiro tudo ao ar e deixo que caia em liberdade. tenho algum receio de ter que ir apanhar os cacos muito longe.

a tua importância é relativa. ainda não consigo classificar o que nos une com a exactidão que se impunha.

desejo um futuro, outro, qualquer coisa

ok. era só isto que tinha para dizer. não fizeste nenhuma pergunta, sou eu que quero dar-te respostas. não as tenho. é pena.

às vezes pergunto-me se a velocidade do olhar é semelhante à
velocidade da luz,
se um sopro consegue quebrar a barreira do som,
se é a voz que escraviza uma alma

enfim, devo continuar.

domingo, 25 de julho de 2010

e-mail I


não disseste nada. estava à espera das tuas notícias.
podias ter aparecido. seria uma surpresa e poderiamos apreciar a noite sentados na varanda e falando sobre tudo. excepto sobre nós!

porque não valeria a pena falar sobre nós. nós - não existe! não nesse sentido que ultrapassa a mera partilha de algumas horas, alguns dias, alguns gostos e alguns desapontamentos. quando falo de nós falo de uma unidade... essa unidade não existe.

sendo assim, podemos seguir em frente e encarar o resto da vida com a esperança de uma nova oportunidade em alguém que, de facto, não será nenhum de nós.

mas...

soletra-me o teu nome ao ouvido
em voz baixa, letra a letra
para que o fixe para sempre e
quando o ouvir novamente
reconheça que o tempo já passou.