sábado, 22 de janeiro de 2011

nevoeiro


nevoeiro sobre a terra, frio que encolhe o corpo. sopro as mãos. bafo que se confunde com a suspensão de humidade. O ar parece pedra.

não te vejo, não sei se estás aí, não sei sequer se alguma vez estiveste.

queria ouvir-te, porque o som da tua voz seria luz bastante, para me guiar

e o toque das tuas mãos iria dar-me o calor que me faria viver novamente.


eleições


um dia de reflexão para quê? um dia de reflexão para ponderarmos em qual dos candidatos presidenciais vamos votar.

um dia que não interessa para nada!

antecipa-se que a taxa de abstenção será das maiores de sempre em eleições presidenciais. cavaco silva garante a sua eleição sem problemas, certamente à primeira volta. nas circunstâncias que vivemos, não há como contrariar o facto - à partida, a reeleição do presidente em exercício está garantida.

contudo, o desinteresse por esta eleição bateu todos os recordes. por mim falo.

votar neste ou no outro candidato não fará qualquer diferença. não terá impacto na vida do país. Portugal não será nem melhor nem pior com cavaco ou com alegre, com a direita ou com a esquerda. estamos presos aos constrangimentos de uma situação interna decadente e sem horizontes e a uma situação externa que nos penaliza com a insensibilidade da linguagem económico/financeira.

o sistema político português está descredibilizado, foi apodrecendo às mãos de gerações políticas, sucessivas, de carreiristas que se preocuparam em gerir o presente e o curto prazo, a bem dos seus interesses e dos interesses dos seus partidos.

o problema em Portugal foi, é e será sempre a falta de educação: do povo e das elites que nos governam. os primeiros não têm consciência da sua necessidade pelo que nem a educação dos filhos promovem; aos segundos não interessa a educação das massas e nisso revelam a sua baixa formação.

ainda assim, amanhã, devemos votar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

flower


there is a flower in your windowsill,
you took it from here,
you put it there.
i know it bloomed
and now you nourish it,
help it grow.

i wonder what it takes
to make a flower grow?
- caress its petals
- i'm sure you talk to it,
put your hands around the bloom,
protect it and whisper
soft, gentle words

you can't see a flower grow
with your eyes!
with your inner sight,
you have to feel it, isn't it?
inside you,
in your heart, some would say.

there is a flower in your windowsill,
blooming.
i don't know its colour,
i do know its beautiful.

don't ask me how,
i just do!

sábado, 15 de janeiro de 2011

confession


i confess i was waiting for you.

it is strange! there is this feeling of emptiness i cannot explain, it resides inside me and is difficult to get rid off.

when i was no longer expecting you - suddenly, there you were! and i got carried away, almost instantly.

it is true. solitude is a plain white board, where i can trace every step that dares to walk by, leaving a footprint.

i enjoy your presence so much!

i've been thinking about the reason, but there's no point in trying to disclose secrets so well kept by the inteligent recesses of the mighty universe. perhaps it is the music of the spheres playing a very beautifull tune or some occasional unsuspected fellings of want...

after i saw you tonight i was calm, as if taken to some peaceful shore.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

da sensualidade da música barroca

há uma qualidade na música barroca em geral e em Handel em particular que me delicia: a sensualidade.
é uma sensualidade feita de contenção e de grande intensidade, que penetra os poros de quem tem os canais abertos e se liga directamente aos controlos do prazer que se encontram no cérebro.
no barroco conta a atitude e a convenção. na música essa atitude é impregnada de intensidade que se revela na voz e nos apanha desprevenidos: é como um gesto, um olhar, uma meia palavra, uma carícia, tantas vezes apenas sugerida, adivinhada e que é expressa por pequenas modulações da voz e por uma melodia penetrante. o efeito é hipnotizante e por isso, é fácil, esquecer tudo e partir pelo sonho em direcção ao intangível.
ascender, transcender, fazer parte de algo mais vasto e superior, é possível também com a música barroca.
Bach é espiritual, Vivaldi apaixonado. Handel é sensual.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

paixão


os minutos e horas e dias que estamos juntos,
todas as palavras e palavras, sorrisos, gestos e sorrisos,
toda a descoberta, toda a surpresa,
os pensamentos, o som da tua voz que não ouço,
as cores e cores que adivinho,
todos os silêncios e ausências sentidos,
tudo, tudo alimenta um sentimento
e tem um nome.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

luz


hoje ofereceste-me a lua e eu quis dar-te o sol.
adiante pensei melhor, devolvi-te metade - o lado brilhante!
eu fiquei na sombra, onde não há ruído, onde posso dizer-te palavras ao ouvido,
que te fazem sorrir.
luz!