terça-feira, 12 de julho de 2011

email VIII


estou a escrever porque há noites melhores do que outras.
há noites em que a lua é amiga e parece iluminar todo o caminho.
há noites em que a lua é nova, nem se vê e só há negro.

não estou com sono e apetecia-me falar um pouco contigo, um pouco mais...
não ia dizer nada que já não soubesses, fazia questão de falar disto e daquilo, de nada realmente importante, porque hoje já falámos de coisas importantes. seria provável acabar por te beijar e assim não ter que falar mais nada.

há um silêncio entre cada palavra dita e isso já todos sabemos.
sinto receio dessas pausas que, tantas vezes, adquirem significados maiores que o das palavras que definem. palavras são palavras e o seu significado vem no dicionário, quanto às pausas, o seu significado é definido por cada um de nós.

muitas vezes não sei o que ler em ti, nas tuas palavras e, sobretudo nas tuas pausas. por vezes és como a noite de lua nova e eu não encontro o caminho, por vezes parece que me engano.

não estou a fazer sentido.
o que queria mesmo dizer é que queria falar contigo mais um pouco, agora à noite.
quem sabe, não seja mais que um pretexto para te beijar outra vez.


sábado, 9 de julho de 2011

improbabilidade


improbabilidade somos nós
tu e eu, o nosso encontro.
improbabilidade pelo que nos separa,
improvável o destino que nos juntou.

e neste encontro
o fruto improvável:
vermelho como a paixão,
sim! carnudo, perfumado e apetitoso.

improbabilidade a união dos nossos pensamentos,
improvável a comunhão dos corpos -
boca, pele e sexo,
tão improvável e sem sentido, que sinto,
a probabilidade da nossa existência
como um

terça-feira, 5 de julho de 2011

palavras


gasto palavras procurando as melhores para te dizer que sinto,
um gosto na boca quando beijo a tua e me sabe a frescura,
na pele um gesto bruto, uma suposta carícia
e no corpo, o teu, vento quente de verão.

as palavras são curtas, menores.
talvez com o olhar que tudo diz,
diria amor.

domingo, 26 de junho de 2011

voltar


deixei-te hoje e logo depois queria voltar.
é a tua presença tão necessária à minha vida
que nada mais tem relevo quando estás longe.
pairo sobre os teus dias de ausência,
dias sem história, sem cor, sem perfume,
sem o teu calor, a tua luz.

esse encanto que me seduz,
esse ser que és tu.

voltar a ver


sexta-feira, 24 de junho de 2011

nome


soletra-me o teu nome ao ouvido,
em voz baixa, letra a letra
para que o fixe para sempre e
quando o ouvir novamente
reconheça que o tempo já passou.

sábado, 18 de junho de 2011

nós


a tua pele é a minha fronteira e nela encontrei a paz que procurava.
quando te olho sinto-me conquistado noutro olhar que é o teu.

esta paixão transporta-me para um eu mais vivo, real, verdadeiro.

quero a tua pele na minha porque te desejo.
quando o desejo é saciado, transforma-se em nova vontade de mais um dia contigo.

dias e dias formam uma história: tua e minha.

nós, é uma realidade que acordou e vive,
cujos ecos vão permanecer na nossa dimensão de eternidade.






segunda-feira, 13 de junho de 2011

viagens


gostava que este livro fosse o teu livro de viagens.

para viajar nem sempre precisamos sair do local onde nos encontramos. basta pensar, imaginar, fantasiar.

alguns desses pensamentos, algumas fantasias, alguns pedaços de imaginação tornam-se realidade e a viagem acontece. estamos sempre a viajar.

se de vez em quando vieres aqui e escreveres um pensamento, um sentimento, uma sensação, se lembrares alguém, poderás recordar etapas da tua viagem.

nunca viajamos sózinhos, levamos sempre as memórias, as experiências, as cicatrizes e as alegrias; levamos os olhos, a boca, as nossas mãos e a nossa pele. Às vezes levamos companhia, levamos alguém connosco.

viajar com alguém é sempre muito mais agradável: são, pelo menos, quatro olhos para ver o mundo, duas peles para sentir e quatro mãos para tocar.

agora, viajas comigo.