quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

murmúrio




antecipo, escrevo a história,
leio um guião que só eu sei.
Mudo os móveis, mudo as peças,
sigo caminhos
quase me perco.

volto sempre,
rasgo a história.

um murmúrio basta,
fico quieto.

se te amo, luto por ti
e se se penso que te vou perder...
que luta esta, afinal,
que me deixa exausto,
sem ar, sem norte, sem força.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

as contas do presidente da república


soube hoje que o presidente da república pensa que, provavelmente, os rendimentos que aufere das suas pensões, que recebe merecidamente, não chegam para cobrir os seus gastos.

de seguida ouvi vários comentadores e personalidades pronunciarem-se sobre essa intervenção do presidente, considerando que era negativa, ultrajante, humilhante, reprovável, tendo em consideração que o ordenado médio dos Portugueses é pouco mais de 700 euros.

O nosso presidente da republica tem exercido o seu mandato, optando por uma postura convictamente discreta e exercendo a sua "influência" atrás das portas do palácio de belém. aparentemente, assim terá agido no que se refere ao orçamento de estado para 2012 e agora no caso do acordo da concertação social.

há uma tenaz que se abateu sobre o país e sobre os trabalhadores por conta de outrém e sobre os desempregados: não é a crise internacional, não é a Tróika, não é a senhora Merkell que constituem os culpados da situação em que vivemos. é o governo, é o presidente, são várias estruturas e organismos da sociedade, os fazedores de opinião e os mentores de desinformação, estes sim, são os principais responsáveis pela tenaz que nos vai efectivamente, fazer ficar ainda mais pobres do que já eramos e regredir para níveis de há 30 anos.

para pessoas como o presidente, que fazem estas declarações consciente ou insconscientemente, as pessoas e as suas dificuldades são, de facto, realidades muito longínquas e arredadas, das quais têm uma consciência teórica mas, cuja verdade dura não abarcam de todo, porque não convivem com ela, fechados como estão nos seus mundos protegidos de agendas protocoladas, programadas ao milímetro e onde a realidade é um cenário previamente pintado com os tons apropriados à ocasião.

o presidente diz que o dinheiro que justamente lhe é pago não chega. O que eu recebo já não chegava e a partir deste ano ainda vai ser mais difícil que chegue e o de milhares de outras pessoas não vai chegar de todo.

há mais pessoas que, este ano, vão ficar desempregadas, que vão ser despedida; há mais pessoas que vão perder as suas casas, que vão ter de mudar os filhos de escola, que vão pedir subsídios para os livros, que vão pagar mais por actos médicos no Serviço Nacional de Saúde; há mais pessoas que vão passar fome e solicitar apoio à Segurança Social, à Igreja, às Associações; há mais pessoas que vão virar pedintes e mais pessoas que se vão tornar criminosos e mais pessoas que se vão prostituir; há mais miséria a vir por aí.

o presidente diz que o dinheiro não lhe chega para pagar as contas, os governantes falam na emergência nacional e na austeridade, culpam o exterior pelos nossos males mas nenhum consegue propôr uma solucção a médio prazo que nos dê uma perspectiva de melhoria, enfim, uma esperança. A solução é ir ao bolso dos trabalhadores em geral e dos trabalhadores por conta de outrém em particular.

o presidente anda tão alheado da realidade dos cidadãos como os outros governantes e nós, cá andamos alheados do que nos estão a fazer, porque andamos a tentar que o dinheiro chegue para pagarmos as contas.

a propósito, acho que hoje optei pela monarquia. os reis são pagos pelo povo mas dão mais garantias de estarem melhor preparados para exercer o seu cargo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Impressão


às vezes é difícil chegar a ti.

mas nas tuas mãos há um sossego justo
que acalma e dá certeza
e nos teus dedos um toque apaziguador.
vão-se os pensamentos, as dúvida, as incertezas,
as angústias e os medos.
que me resta no cérebro quando me tens nas tuas mãos?
que me resta da alma, se minha já não é?
disperso pelos teus dedos, como por entre os ramos de uma árvore,
procuro o descanso, a calma, e a paz.