terça-feira, 26 de julho de 2011

palavras novas


"Gruta de Fingal"
Escócia

já não tenho palavras novas,
só as antigas que já disse:
gosto! paixão, amor, sentimento,
muito, eu, tu, nós, juntos,
ligados, apaixonados, companheiros, amantes

mas com a permanência de ti,
o teu corpo, a tua existência,
reinvento palavras nas horas, no tempo
e sou capaz de as fazer soar jovens,
como tu és.
a frescura nos meus lábios,
o calor na minha pele.
o turbilhão em mim.

domingo, 17 de julho de 2011

contigo


paixão, paixão,
tás a dormir?
acorda paixão,
não tenho sono,
quero falar mais,
quero olhar para os teus olhos,
quero a tua boca a sorrir.

já te disse hoje que te amo?
estou a repetir-me?
desculpa, é que é mesmo verdade!
tão verdade, que já não faço sentido,
sem ti.

Espera, não acordes,
chega-te para lá um pouco,
deixa-me deitar ao teu lado,
vou-me aninhar em ti,
encostado, abraçado,
o teu calor é tão bom,
não acordes agora
quero ficar assim contigo.

beijo, paixão

terça-feira, 12 de julho de 2011

email VIII


estou a escrever porque há noites melhores do que outras.
há noites em que a lua é amiga e parece iluminar todo o caminho.
há noites em que a lua é nova, nem se vê e só há negro.

não estou com sono e apetecia-me falar um pouco contigo, um pouco mais...
não ia dizer nada que já não soubesses, fazia questão de falar disto e daquilo, de nada realmente importante, porque hoje já falámos de coisas importantes. seria provável acabar por te beijar e assim não ter que falar mais nada.

há um silêncio entre cada palavra dita e isso já todos sabemos.
sinto receio dessas pausas que, tantas vezes, adquirem significados maiores que o das palavras que definem. palavras são palavras e o seu significado vem no dicionário, quanto às pausas, o seu significado é definido por cada um de nós.

muitas vezes não sei o que ler em ti, nas tuas palavras e, sobretudo nas tuas pausas. por vezes és como a noite de lua nova e eu não encontro o caminho, por vezes parece que me engano.

não estou a fazer sentido.
o que queria mesmo dizer é que queria falar contigo mais um pouco, agora à noite.
quem sabe, não seja mais que um pretexto para te beijar outra vez.


sábado, 9 de julho de 2011

improbabilidade


improbabilidade somos nós
tu e eu, o nosso encontro.
improbabilidade pelo que nos separa,
improvável o destino que nos juntou.

e neste encontro
o fruto improvável:
vermelho como a paixão,
sim! carnudo, perfumado e apetitoso.

improbabilidade a união dos nossos pensamentos,
improvável a comunhão dos corpos -
boca, pele e sexo,
tão improvável e sem sentido, que sinto,
a probabilidade da nossa existência
como um

terça-feira, 5 de julho de 2011

palavras


gasto palavras procurando as melhores para te dizer que sinto,
um gosto na boca quando beijo a tua e me sabe a frescura,
na pele um gesto bruto, uma suposta carícia
e no corpo, o teu, vento quente de verão.

as palavras são curtas, menores.
talvez com o olhar que tudo diz,
diria amor.

Handel: Haec est Regina virginum, HWV 235 - Anne-Sofie von Otter